quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Se meu carro falasse...

Ele fala sim, viu?! Avisa quando precisa de gasolina ou de alguma peca nova. E nao é só isso nao, ele tráz consigo muitas histórias que eu podería contar, dos muitos lugares que visitamos, aventuras nas estradas e sobre as pessoas que viveram muitas horas em conversas, discussoes ou cantando no seu interior.
Sempre alí á disposicao de me levar aonde eu queira, me dando abrigo e carregando minhas tralhas. Meu "fiel escudeiro" da era tecnológica. Os servicos que presta sobre suas quatro rodas equivaleríam a uma caravana de muitos camelos e escravos, sem falar da velocidade e das distâncias percorridas em curto espaco de tempo que da outra forma seríam inimaginaveis. Podemos compará-lo a armadura do cavaleiro de hoje. Com ele vamos à luta e à passeio mas com conforto, somzinho estéreo e aclimatizados. Grandes avancos desde a idade média!

Mas o carro da foto nao é qualquer carro. Em mais de uma década de dedicacao ele nos levou direto para os nossos objetivos, seja á trabalho, para visitar as pessoas que amamos ou fazendo mudancas e transportes e assim tornou-se meio que parte da gente. Nossa biografia nao sería a mesma se nao fosse ele. Claro que um carro nao tem vida e é apenas feito de lata mas nós "vestimos" essa "armadura" e com isso seu interior adquire vida, tendo alguem que o conduz como eu conduzo meu corpo físico pelo mundo afora. Com isso ele acaba fazendo parte nao só de mim, mas tambem da minha família e amigos, com qualidades de um certo eu coletivo. Ligando as pessoas envolvidas, ele faz a ponte que gera uma estrutura social que me é muito cara. Dentro dessa lata tem um vazio que nós preenchemos com nossos corpos e com a nossa história pessoal. Dentro desse vazio convivemos, minhas criancas cresceran, viraram jovens, aprenderam e treinaram a capacidade de conduzir veículos. Conversas, sonhos e idéias incríveis tambem preencheram esse espaco interior. On the road aprendemos muito, seja ouvindo audio books, meditando, organizando pensamentos ou simplesmente deixando eles virem e irem.

Através dos barulhos do seu motor ele dá seus recados e de outra forma tambem pela leitura dos números que aparecem no seu painel. O rádio fala diretamente aos nossos ouvidos e tudo está de certa forma interligado e de acordo com o tempo e o espaco percorridos juntos, formamos uma parte maior ou menor do nosso destino conjunto. Dez anos interagindo, interpenetrando e estabelecendo uma unidade. Portanto, me vejo como parte desse carro ou ele como parte de mim em constante comunicacao: eu dou as ordens ele me dá as dicas que passam pelo filtro das minhas próprias interpretacoes. No último encontro com esse meu fiel escudeiro ele me falou quando fiz a leitura do seu contador de kilometragem. Nele lia-se o número 70009 que me lembrou o número da sua placa 739. Procurando entender essa sequência numérica pela ótica da lógica qualitativa sem considerar a quantitativa, o 3 passa a representar a unidade trimenbrada que passou para zero, mas nao um zero qualquer e sim um zero triplo. O zero está para o nada como o um está para o todo e ambos formam o princípio fundamental da dualidade, de tudo que possue um início e um fim. Sem querer fazer um tratado de numerologia, preciso ainda dar lugar ao sete e ao nove. Através do sete contemplamos evolucao, transformacao e o nove nos dá a idéia da missao cumprida, da meta atingida ou da perfeicao. Assim a evolucao, passando pela criacao chega a perfeicao e ao final dessa história, a evolucao transcendendo o fim, tambem completa mais um processo.

O último algarismo que vi em seu painel foi o 18 que tambem pode ser lido como nove que passa pelo oito, considerado número da sorte pelos chineses (Olimpiada de Pekim) e sagrado na tradicao crista e no meu conceito tambem. Portanto, acabei de canonizar meu carro querido e como agora virou santo, ele tambem faz milagres e como suas latas velhas nao passam mais pelo TÜF (vistoría técnica) ele resolveu investir numa armadura nova para a gente continuar na luta, ligando os pontos e sem perder o fio da meada.

Um comentário:

Emre disse...
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