segunda-feira, 2 de março de 2009

Quem conhece Momo?


A menininha de cabelo estrupiado, cuja maior qualidade é saber ouvir e que tem uma difícil missao a cumprir com ajuda da tartaruga Cassiopéia: vencer os senhores cinzentos que consomem o tempo, munida apenas de uma flor que lhe foi dada pelo mestre Hora, o senhor do tempo.

Entao, quem conhece?

Tem me passado muitas vezes pela cabeca nos últimos tempos essa história do Michael Ende, o mesmo autor da "História sem Fim". Nao sei se é por causa da crise financeira mundial, já que a fantástica estória lembra muito dos homens cinzentos que demoliram o sitema ecomômico mundial com suas falcatruas ou se é porque Momo consegue ouvir a voz das estrelas que sao tambem minhas companheiras no silêncio das noites claras ou por que minha amiga usou recentemente uma das imagens da estória, ao comentarmos o filme "a estranha história de Benjamin Button".

Já está clareando o dia, vai chegando a hora de parar de escrever e ir para casa. Quem sabe mais tarde, depois de um dia bem dormido me vem a razao pela qual essa imagem me aparece com tanta frequência...

...e mais uma semana se passou. O tempo passa e nem por isso se perde, mas a gente muda as coordenadas astrais e nossos pensamentos recebem novos impulsos, mas Momo continuou a me acompanhar e suas imagens vao se aprofundando em meu ser.

Pilhas de livros interessantíssimos pra ler e eu que leio tao devagar! Mas tenho minhas noites e elas me dao o tempo que preciso para ler o que eu quiser. Ter um trabalho que nao tira o teu tempo e sim o coloca à tua disposicao e ainda te dá a liberdade para você fazer dele o que bem entender pode ser uma verdadeira bencao. Ontem, por exemplo, assisti ao filme Momo. Nao gostei muito da filmagem, mas o DVD caíu "sem querer" nas minhas maos. Na sexta fui pra cidade cortar o cabelo, passando antes numa livraría, comprei finalmente o livro "Momo".

Tenho falado do livro, mas como nunca o lí e tambem pelo fato de eu estar à procura de um trecho da história que foi citado numa interessante crônica, achei que merecía o investimento. Quando sentei no cabelereiro para esperar pelo corte, passei a folhear o livro à procura do tal trecho. Folheio pra lá e pra cá quando, de repente, abri a página na qual a vendedora havia colocado, como brinde, um marcador de livros e lá estava o que eu tanto procurava. Nesse momento me emocionei e de alegría, meu olhos ficaram marejados, foi quando a cabeleleira chegou. Estando atento, esses pequenos "passes de mágica" acontecem com mais frequência do que a gente imagina, isso se considerarmos tambem o que deixa de acontecer. Uau! quanta ajuda o destino coloca à disposicao e nós, se é que pensamos a respeito, geralmente a consideramos simplesmente como obra do acaso. Digo isso, mas sem qualquer preconceito pois prezo e muito o poder existente no acaso.

Acho que agora sei por quê Momo vem com tanta frequência "me visitar". Nas últimas semanas cresceu muito minha preocupacao sobre como apoiar meu filho para melhorar seu rendimento escolar e ainda tentando fazê-lo ver o outro lado do cigarro. Sei que nem sempre acertei no tom de voz, apesar de ter me esforcado em trazer argumentos imbatíveis. Mas essa é a questao: nao adiantam rebuscados argumentos se a linguagem do coracao nao os aquece. Nao é que só se vê bem com o coracao (citando S.-Exupéry) mas tampouco se fala bem sem sua participacao.

Aliás, Momo só consegue realizar sua missao depois de ter vislumbrado a fonte do tempo dentro do próprio coracao. A imagem que o autor descreve é belíssima, aqui resumido com as minhas palavras: Mestre Hora mostra o caminho à menina e pede à ela para nao falar ou perguntar nada enquanto ela estiver nesse lugar. Ele cobre seus olhos e logo ela passa a ver uma imensa aboboda cheia de estrelas, do alto entra um foco de luz que incide sobre uma flor, a mais bela que Momo até entao tinha visto e essa flor parecía ser feita apenas de luz e cores e Momo sequer sabia existirem. Essa flor se encontra no meio de um lago de águas escuras. Momo percebe, nao só o doce perfume da flor, mas tambem uma melodia que nao lhe pareceu estranha. Fascinada pela beleza da flor, ela se assusta e comeca a ver com tristeza como a flor, no auge da sua beleza, comeca a murchar e vai se despetalando até sumir por completo. Pouco depois surge um novo botao e sem acreditar nos seus olhos ela ve este desabrochar numa flor ainda mais bonita e seu perfume superava o encanto provocado pela primeira. Quando esta tambem comecou a murchar, a menina entristeceu e mesmo achando ser impossível, ela viu brotar a flor mais formosa de todas. Esta tambem sucumbiu dando lugar à próxima que extrapolava a beleza de todas as outras. Momo acordou no colo do Mestre Hora, imprecionada com a grandeza do tempo, Mestre Hora lhe disse que aquele era só o seu tempo. A menina perguntou entao, aonde fica esse lugar e Mestre Hora respondeu "dentro do teu coracao".

As mensagens e imagens dessa história sao muito simples e para as pessoas de hoje, bem mais concretas do que abstratas. Os homens cinzentos que roubam o tempo temos hoje por todos os lados. Na macro-economía e dentro das famílias eles desviam nossa atencao, fazendo com que foquemos nossos sentidos naquilo que faz com que nao sobre mais tempo para o essencial.
Para vencer o poder deles, nao adianta violência nem afiados argumentos tirados do intelecto, usando a forca do coracao, sim, desacelerando e devagarinho como tartaruga Cassiopéia, com a flor da hora nas maos,
podemos vencer os homens cinzentos que poluem tudo com seus charutos e entao voltar a usar nosso precioso tempo com aquilo que é bom, bonito e verdadeiro. Saindo assim do círculo vicioso, retomamos nossa metamorfose evolutiva.





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